ARTIGO ESPECIAL — DIA DO PAI 19/03/2026
Ser pai também cansa (e isso também merece cuidado)
Durante muito tempo, falar do cansaço emocional dos pais foi quase um tabu. Esperava-se que o pai fosse o forte, o prático, o que resolve. O que aguenta. O que não se perde nas emoções. Mas essa imagem, apesar de resistente, tem um custo silencioso.
Ser pai hoje envolve muito mais do que prover ou estar presente fisicamente. Envolve disponibilidade emocional, atenção, paciência e uma presença constante que nem sempre encontra espaço para descanso interno. Muitos pais vivem entre a exigência profissional, a responsabilidade familiar e a pressão de “dar conta de tudo”, sem saber onde colocar o que sentem.
O cansaço do pai raramente é falado. Manifesta-se no corpo, na irritação fácil, no silêncio prolongado, na dificuldade em desligar. Não porque falte amor, mas porque sobra responsabilidade. O sistema nervoso mantém-se em alerta constante, mesmo quando não há perigo imediato.
Ser pai também implica lidar com medos, inseguranças e dúvidas que muitas vezes não encontram lugar para ser expressas. A ideia de que o pai deve ser sempre firme e equilibrado afasta-o do cuidado emocional de que também precisa. E quando esse cuidado não existe, o corpo encontra formas de pedir atenção.
O Dia do Pai pode ser mais do que uma celebração simbólica. Pode ser um convite à consciência. Um momento para reconhecer que cuidar do pai é cuidar da família inteira. Um pai regulado emocionalmente está mais presente, mais disponível e mais conectado.
Ser pai não exige invulnerabilidade. Exige humanidade. E humanidade precisa de cuidado, espaço e apoio.
Também para os homens.
Também para os pais.
Claudia Lucena de Sousa
Terapeuta de Bem-Estar
Técnica Certificada de Biofeedback REF

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