sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Viver em alerta constante: quando o stress deixa de ser resposta e passa a ser estado



O stress, em si, não é o problema. É uma resposta natural do corpo perante desafios. O problema surge quando essa resposta deixa de ser temporária e se torna o estado habitual. Quando viver em alerta passa a ser normal.


Muitas pessoas já não se lembram de como é estar verdadeiramente relaxadas. O corpo está sempre pronto a reagir. A mente antecipa, organiza, resolve. Mesmo nos momentos de pausa, existe uma tensão de fundo. Um cansaço que não se explica apenas pelo que se faz, mas pelo que se sustenta internamente.

Este estado prolongado de alerta afeta tudo: o sono torna-se leve, a paciência diminui, as emoções intensificam-se. Pequenas situações geram reações grandes. O corpo já não distingue urgência de rotina. Tudo parece exigir resposta imediata.

Com o tempo, este modo de funcionamento é normalizado. “Eu sou assim.” “Sempre fui nervosa.” “Tenho muita coisa na cabeça.” Mas o corpo está em esforço contínuo. Não porque a pessoa seja fraca, mas porque nunca teve espaço para sair desse modo de sobrevivência.

Viver assim tem custos. Não apenas físicos, mas emocionais e relacionais. A presença diminui. O prazer desaparece. As decisões tornam-se reativas. O corpo continua a aguentar, até deixar de conseguir.

Reconhecer que se vive em alerta constante não é dramatizar. É ganhar consciência. Porque só quando se reconhece o estado interno é possível criar mudança real. O corpo não precisa de mais resistência. Precisa de regulação.

Claudia Lucena de Sousa

Terapeuta de Bem-Estar

Técnica Certificada de Biofeedback REF


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