O que é realmente o bem-estar (e porque não é sentir-se bem o tempo todo)
Fala-se muito de bem-estar, mas raramente se explica o que ele realmente é.
Para muitos, bem-estar tornou-se sinónimo de estar sempre positivo, calmo, equilibrado. Como se fosse um estado permanente a alcançar e manter. Essa ideia, apesar de popular, cria mais frustração do que cuidado. O bem-estar não é ausência de desconforto. É a capacidade de atravessar o desconforto sem se perder. É sentir tristeza, cansaço ou irritação e ainda assim conseguir manter alguma presença interna. Não porque a vida esteja fácil, mas porque o corpo não está em constante modo de defesa.
Há pessoas que parecem “funcionar bem”, mas vivem
desconectadas do corpo. Outras sentem tudo intensamente, mas não conseguem
regular o que sentem. Nenhuma destas situações é verdadeiro bem-estar. O
bem-estar acontece quando existe relação com o que se sente, e não negação ou
sobrecarga.
Não é algo que se atinge de uma vez. É um processo dinâmico,
influenciado pelo corpo, pelas emoções, pelas relações e pelo contexto de vida.
Um dia pode existir mais equilíbrio, noutro menos. Isso não significa
retrocesso. Significa humanidade.
Quando o bem-estar é visto como um ideal fixo, torna-se mais
uma exigência. Quando é visto como um processo vivo, transforma-se em cuidado.
O corpo deixa de ser algo a corrigir e passa a ser algo a escutar.
Talvez a pergunta não seja “como posso sentir-me bem?”, mas
“como posso estar presente comigo, mesmo quando não me sinto bem?”. É nesse
espaço que o verdadeiro bem-estar começa a construir-se.
Claudia Lucena de Sousa
Terapeuta de Bem-Estar
Tecnica Certificada
de Biofeedback REF
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